Os alimentos orgânicos não são mais nutritivos do que aqueles produzidos da forma convencional, revelou uma grande revisão de estudos sobre o tema divulgada na quarta-feira no Reino Unido, como mostra reportagem do jornal O GLOBO. O estudo não mediu, no entanto, outras vantagens atribuídas aos orgânicos, como a não utilização de agrotóxicos e fertilizantes em seu cultivo e os cuidados com o meio ambiente.
Pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres alertaram que os consumidores estariam pagando preços mais elevados em parte por causa dos benefícios nutricionais dos orgânicos, movimentando um mercado global estimado em US$ 48 bilhões, em 2007, sem que haja comprovação científica de tais benefícios.
A revisão de 162 estudos sobre o tema publicados ao longo dos últimos 50 anos revelou que não há diferença significativa.
- Um pequeno número de diferenças em nutrientes foi constatado entre os produtos orgânicos e os convencionais, mas sem nenhuma relevância em termos de saúde pública – afirmou Alan Dangour, um dos autores do estudo. – Nossa revisão indica que não há, atualmente, qualquer evidência a embasar a escolha dos alimentos orgânicos sobre os convencionais por conta de sua superioridade nutricional.
Financiada pela Agência de Padrões Alimentares do governo britânico e publicada na revista “American Journal of Clinical Nutrition”, a pesquisa estudou 20 das 23 categorias nutricionais, entre elas, concentração de vitamina C, cálcio e ferro presentes em legumes, frutas e verduras. O mesmo foi constatado em carnes, laticínios e ovos.
Uma outra pesquisa feita no Reino Unido no ano passado havia revelado que os britânicos que consomem orgânicos escolhem esses produtos por sua “qualidade e sabor”. Embora não haja um estudo semelhante no Brasil, aparentemente a busca por orgânicos aqui estaria mais ligada à ausência de agrotóxicos do que propriamente ao maior valor nutricional.
