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Orgânicos possuem mais nutrientes do que alimentos convencionais

Posted by on Sunday, 27 March, 2011

São 7h de sábado, e o um grupo de paulistanos já pulou da cama. Eles saem em busca de saúde e encontram alimentos livres de agrotóxicos. Já virou rotina para a tradutora Larissa Loenert, mãe do Gabriel de um ano e nove meses. Ela faz compras na feira de orgânicos toda semana, sem falta. E tem que ser bem cedo antes que os produtos acabem.

“Eu tenho os alimentos sem agrotóxico, tenho uma criança mais saudável, tenho uma alimentação em que eu confio mais. Estou levando muito mais saúde para casa, com certeza”, afirma Larissa.

Esse é o começo de uma mudança de hábitos do consumidor que anda cada vez mais exigente. Já não basta parecer saudável, afinal aparência não é tudo. O consumidor agora também quer saber de onde vem o que ele está comendo e como o que ele põe no prato foi produzido. A busca por alimentos orgânicos é, no fundo, a busca por uma espécie de selo de qualidade, uma garantia de que o que ele come hoje não vai fazer nenhum mal à saúde, nem agora nem no futuro.

Os alimentos orgânicos passaram por um teste na Universidade Federal do Paraná (UFPR). “O mais importante não é só o que eles têm, mas o que eles não têm, e o que eles não têm é contaminação por agrotóxicos. Então, recomendam-se os orgânicos”, aposta a química Sônia Stertz, da UFPR.

A pesquisadora Sônia foi a campo. O que ela colheu nas plantações próximas a Curitiba foi direto para o laboratório. E dez alimentos passaram pelos testes: agrião, alface, batata, couve-flor, espinafre, tomate-cereja, tomate-salada, morango, pepino e cenoura. Conclusão: os orgânicos levaram vantagem em relação aos alimentos cultivados com uso de produtos químicos.

“Apresentavam maior concentração de nutrientes, quando comparados aos convencionais, como fibra alimentar, proteína, açúcares e também alguns minerais como ferro, potássio e selênio”, explica a pesquisadora.

Algumas amostras se destacaram na pesquisa, como é caso da batata e do morango. Não é à toa que o agricultor Isaías José Pereira hoje vive todo orgulhoso. “Os morangos têm uma concentração maior de açúcar com vários minerais como cálcio, sódio, potássio e selênio, com teores mais elevados que os convencionais. Isso é muito positivo”, afirma a química da UFPR.

O alimento orgânico é saudável, bonito e saboroso. Há dez anos, o agricultor mineiro Isaías trocou o plantio convencional pela produção de morangos orgânicos. Foi depois de observar um fenômeno curioso na sua propriedade. O canteiro que recebia agrotóxico estava cheio de ácaro. Em outro terreno meio abandonado, sem veneno, os morangos cresciam bonitos.

“Eu fui vendo aquilo e eu pensei: o quê que está errado? Lá na lavoura abandonada, estava cheinho de predador natural. E na convencional, o predador não chegava porque tinha veneno”, conta Isaías.

O agricultor viu que não precisava mais do agrotóxico. É no que todas as pessoas que vão a uma feira de orgânicos também acreditam.

A pesquisa da Universidade Federal do Paraná também mostrou que os alimentos orgânicos testados em laboratório tinham menos nitratos e nitritos, substâncias que podem ser cancerígenas e provocar má formação genética.

Fonte: Globo Reporter

Horta orgânica em apartamento

Posted by on Sunday, 27 March, 2011

É por tudo isso que quase tudo o que se come na casa da nutricionista Neide Rigo, ela sabe exatamente de onde vem. Nem sempre é preciso ir muito longe para trazer para a cozinha de casa alimentos livres de agrotóxicos. Muitas vezes, a dúvida é onde encontrá-los. Mas uma plantação orgânica pode estar bem perto, basta um pouco de terra para poder plantar legumes, verduras e temperos. A horta pode estar no quintal de casa, no meio da cidade grande.

Bem no meio de São Paulo, Neide aproveitou cada centímetro de terra. “No último levantamento que eu fiz, tinha 53 espécies diferentes”, revela a nutricionista.

Se não houver quintal por perto, qualquer espaço serve. Na varanda de um apartamento, por exemplo, também cabe uma horta. Em poucos metros, a empresária Bianca Levis tem uma mini plantação com temperos, hortaliças e até frutas. A horta do apartamento já tem 14 espécies. “Dá para ter uma senhora horta, como você vê. Eu tenho rúcula, romã, pitangueira. Eu tenho todos os meus temperinhos. Não preciso comprar mais”, diz.

Em casa, Neide tem uma horta mais que completa. “Tem pimenta, tem melissa, tem ora pro nobis, tem tomate, mas as coisas vão nascendo assim”, lista a nutricionista. Tem outras plantas com nomes bem diferentes, como o caruru do reino e o mangarito.

Na hortinha do apartamento, já é época de colheita. “A hortelã está boa para colher”, afirma a empresária.

Bianca e Neide cuidam da terra com dedicação. As plantas crescem só com água e adubo orgânico, e a horta da Neide cresceu tanto que já invadiu a frente da casa. “Eu procurei aproveitar todos os espaços de terra aqui. Então, eu tenho cúrcuma. A gente usa a raizinha. É açafrão da terra, que dá cor”, aponta a nutricionista.

A horta avançou pela rua. Na praça perto de casa, Neide sonha em um dia ver os frutos de uma horta comunitária. “Eu plantei um apimenta mexicana, que é uma pimenta de árvore. Então, ela vai dar pimenta para toda a vizinhança”, explica.

O que Neide planta é a ideia de que é possível ter uma vida um pouco mais saudável na cidade. “Eu acho que podia ter um misto de flores, e podia ter também uns canteiros de couve, de ora pro nobis, depalmas. Acho que ia embelezar a praça e alimentar a vizinhança”, comenta a nutricionista.

No apartamento de Bianca, a horta complementa o cardápio da família, quase todo orgânico. “Faz diferença, é um produto mais gostoso, bem mais saboroso que você está consumindo. É muito bom”, declara a empresária.

O que vem do quintal de Neide vai direto para o fogão. Quando a nutricionista vira cozinheira, transforma qualquer verdura em receitas saborosas.

“Eu posso colocar várias ervas aqui. Tem algumas ervas que nascem espontaneamente no meu quintal, e às vezes não em quantidade suficiente para fazer uma panela de comida para a família toda, mas eu misturo. Então, tem um pouquinho de serralha, um pouquinho de almeirão, ora pro nobis, caruru do reino. Então, eu misturo tudo, aproveito tudo que tem no meu quintal”, destaca a nutricionista.

E pelo jeito, fica bom. “Está pronto, para comer com arroz, com polenta. Tudo simples e direto do quintal”, comenta Neide.

Ana Alice, filha da empresária Bianca, já tem um ano de vida, um ano de alimentação livre de agrotóxicos. A mãe não tem dúvidas de que está oferecendo o melhor para filha.

Agrotóxicos podem causar doenças

Posted by on Sunday, 27 March, 2011

Parece que o agricultor José Gonçalves Durães vai para a guerra, mas ele está indo para o pomar. Toda a roupa e a arma na mão são para enfrentar um inimigo. Há anos, ele trabalha com agrotóxico. O veneno é poderoso. Não mata só a mosca da goiaba, ataca também a saúde do homem.

Quem afirma é o epidemiologista Sérgio Koifman, da Fiocruz, que se dedica a estudar os efeitos dos pesticidas, substâncias das mais agressivas. “Elas têm o efeito bastante diversificado nas populações que estão expostas tanto diretamente, como na população em geral, que, por exemplo, entra em contato através dos alimentos”, alerta.

O Brasil é campeão mundial no uso de agrotóxicos. Mas, na hora de fazer compras, passa pela cabeça das pessoas que frutas legumes e verduras podem fazer algum mal para saúde?

“Não, pelo contrário, porque eles têm vitaminas, coisas que são boas”, diz a dona de casa Maria Lambertini. “A gente pega essa fruta aqui. Como é que eu posso saber quanto de agrotóxico ela tem?”, questiona a assistente financeiro Sandra Malheiros.

Como saber se os alimentos que nós consumimos todos os dias não têm agrotóxicos demais? Só mesmo testes em laboratório para dizer, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) faz essa avaliação todo ano. O resultado é uma lista com os campeões em contaminação: frutas, legumes e verduras que apresentaram nível de agrotóxicos acima do permitido ou resíduos de produtos químicos não autorizados para aquele tipo de alimento.

Onde será que o peso dos agrotóxicos foi maior? Em terceiro, foi no pepino. Em segundo, vem a uva. E, em primeiro lugar, está o pimentão. A Anvisa descobriu que 80% das amostras de pimentão apresentavam irregularidades.

A avaliação faz parte de um programa para controlar e reduzir a quantidade de agrotóxicos na alimentação dos brasileiros. No levantamento mais recente, de 2009, em 20 alimentos analisados, quase 30% das amostras tinham agrotóxicos acima do limite ou substâncias não permitidas.

“Em determinadas amostras, tinha mais de cinco tipos diferentes de agrotóxicos não autorizados. E isso é sério. É sinal de que a gente precisa fazer um bom trabalho com esse agricultor, para que ele mude essa prática agrícola e utilize aqueles produtos que estão autorizados”, diz o gerente geral de toxicologia da Anvisa, Luiz Cláudio Meirelles.

O agricultor Cristiano Juliatto aprendeu a plantar sem veneno e gostou do resultado. “O consumidor final vai comer um produto de qualidade. Eu também não estou envenenando as pessoas”, destaca.

Na lista da Anvisa, os alimentos com menor índice de contaminação foram a banana, o feijão e a batata. E os consumidores devem cobrar e exigir qualidade do que se compra. Comer frutas, legumes e verduras é uma das recomendações para prevenir o câncer – melhor ainda, se forem livres de agrotóxicos.

O nutricionista do Instituto Nacional do Câncer (Inca) explica por quê: “os alimentos orgânicos têm uma quantidade de compostos quimiopreventivos, compostos anticancerígenos, que é 15% a 30% maior do que os alimentos que são produzidos com agrotóxicos”, explica o nutricionista Fábio da Silva Gomes, do INCA.

Na casa de Joel, ninguém duvida do poder dos orgânicos. Ele traz os alimentos da horta. E a dona de casa Rose Márcia de Carvalho prepara. Na casa deles, tem refeição orgânica todos os dias. Ela garante que o corpo já sentiu a diferença e se livrou de um tumor no útero. “Eu fiz duas cirurgias, até parei de trabalhar aqui para me cuidar. E o médico falou que eu não tenho mais nada”, conta.

Rose acha que foi a alimentação que ajudou a superar o problema. Ela aposta que a comida orgânica que a curou.

Mas se o que tem na geladeira de casa não é orgânico, o que fazer para, pelo menos, diminuir a carga de agrotóxicos? Os especialistas dão as dicas:

Sônia Stertz, química da UFPR: No caso de frutas, você deve eliminar a casca.
Luiz Cláudio Meirelles, gerente geral de toxicologia da Anvisa: Retirar folhas mais externas das hortaliças folhosas. Lavar abundantemente todos os alimentos.

Mas não espere que assim você vai ficar livre do veneno. “Aquilo que está na polpa do alimento não é retirado”, alerta o gerente geral de toxicologia da Anvisa.

A pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) comparou amostras de alimentos orgânicos, convencionais e hidropônicos (aqueles cultivados em água). Advinha qual delas apresentou maior concentração de agrotóxico? “Os hidropônicos, para nossa surpresa, tem mais de 40% das amostras com algum tipo de contaminação”, revela Sônia.

Mas qual é o mal que os agrotóxicos podem causar? A lista de doenças é enorme. “Depressão, má formações congênitas, alguns tipos de câncer como leucemia e tumores de cérebro, transtornos da imunidade, alterações na qualidade dos espermatozóides”, lista o epidemiologista Sérgio Koifman, da Fiocruz.

Agrotóxicos também podem causar infertilidade, uma revelação para o produtor orgânico José Bassit. “Minha esposa não conseguia engravidar. Aí eu vi que alguma coisa estava errada”, conta.

Após sete anos em contato direto com pesticidas, hoje ele está convencido de que a culpa foi do veneno. José revela que tinha certeza de que era fértil e possuía até uma prova: “tinha um exame. No começo, era normal. Depois de três anos, a fertilidade foi caindo e, depois de sete anos, eu já não tinha mais espermatozóides vivos”, revela.

O agricultor José Gonçalves Durães ainda parece duvidar. “Nós fazemos exame direto, nunca deu problema”, afirma.

Pelo sim, pelo não, ele decidiu diminuir pela metade a quantidade de veneno que usa nas goiabeiras. Agora ele protege a fruta embrulhando cada uma delas. Ele veste uma a uma com saquinhos de papel. Só que ele ainda acha que a lavoura não sobrevive sem veneno.

Fonte: Globo Reporter

Estudo revela que alimentos orgânicos não são mais nutritivos que convencionais

Posted by on Thursday, 30 July, 2009

Os alimentos orgânicos não são mais nutritivos do que aqueles produzidos da forma convencional, revelou uma grande revisão de estudos sobre o tema divulgada na quarta-feira no Reino Unido, como mostra reportagem do jornal O GLOBO. O estudo não mediu, no entanto, outras vantagens atribuídas aos orgânicos, como a não utilização de agrotóxicos e fertilizantes em seu cultivo e os cuidados com o meio ambiente.

Pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres alertaram que os consumidores estariam pagando preços mais elevados em parte por causa dos benefícios nutricionais dos orgânicos, movimentando um mercado global estimado em US$ 48 bilhões, em 2007, sem que haja comprovação científica de tais benefícios.

A revisão de 162 estudos sobre o tema publicados ao longo dos últimos 50 anos revelou que não há diferença significativa.

- Um pequeno número de diferenças em nutrientes foi constatado entre os produtos orgânicos e os convencionais, mas sem nenhuma relevância em termos de saúde pública – afirmou Alan Dangour, um dos autores do estudo. – Nossa revisão indica que não há, atualmente, qualquer evidência a embasar a escolha dos alimentos orgânicos sobre os convencionais por conta de sua superioridade nutricional.

Financiada pela Agência de Padrões Alimentares do governo britânico e publicada na revista “American Journal of Clinical Nutrition”, a pesquisa estudou 20 das 23 categorias nutricionais, entre elas, concentração de vitamina C, cálcio e ferro presentes em legumes, frutas e verduras. O mesmo foi constatado em carnes, laticínios e ovos.

Uma outra pesquisa feita no Reino Unido no ano passado havia revelado que os britânicos que consomem orgânicos escolhem esses produtos por sua “qualidade e sabor”. Embora não haja um estudo semelhante no Brasil, aparentemente a busca por orgânicos aqui estaria mais ligada à ausência de agrotóxicos do que propriamente ao maior valor nutricional.

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